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sábado, 30 de janeiro de 2010

Oficina discute as raízes missioneiras no estado

Por Fernanda Nascimento
Fotos: PMC/Divulgação
A contribuição indígena para a formação da população gaúcha e os exemplos de cooperação mútua dentro de suas tradições foram os temas debatidos na oficina “As raízes missioneiras nas periferias urbanas”, ministrada pelo irmão Antônio Cechin e pelo cantor descendente de Guaranis, Pedro Ortaça. O encontro aconteceu no Parque Eduardo Gomes, dia 27 de janeiro, dentro das atividades do Fórum Social Mundial 2010.

“Comemoramos 10 anos de Fórum Social Mundial, mas não ouvi ninguém dizer ainda que, em 2010, completamos 400 anos de Missões Jesuíticas no Rio Grande do Sul”, afirmou Cechin. O missionário popular falou sobre a relação entre o evento e o aprendizado nas Missões. “Desde que os portugueses chegaram ao Brasil, temos dois projetos de sociedade: o do comunismo primitivo, feito pelos índios, e o projeto de uma nação capitalista, como temos hoje”, disse.

Ao longo de uma hora, Antônio Cechin esmiuçou a trajetória dos índios das missões e de seu herói, Sepé Tiaraju, com inúmeras citações de estudos acadêmicos e histórias da cultura popular sobre o tema. Ele relembrou sua participação na organização das ocupações em Canoas, quando utilizava o mesmo método dos padres jesuítas, a primeira Romaria da Terra, em 1978 e o início de um dos movimentos sociais mais reconhecidos no mundo, o Movimento dos Sem Terra (MST).

O canto por justiça
“O índio Guarani foi expulso em 1758, sabemos do genocídio que aconteceu ali. Eu canto para que os doutores desse país se conscientizem da dívida com os índios guaranis. Hoje, continuam por aí, tentando recuperar essa terra, passando a viver humilhados, sendo chamados de vadios e preguiçosos na cidade grande”, analisou Pedro Ortaça. Em suas palavras, ele demonstrou admiração pelo conhecimento do “professor” Cechin e o reconhecimento do papel do indígena. O cantor relatou as condições de vida de algumas comunidades indígenas na região das Missões e entregou ao senador Paulo Paim, presente na atividade, um documento manifestando a importância da destinação de verbas para estas famílias. Após alguns momentos de reflexão, o cantor chamou os filhos para fazer o que mais gosta: tocar e cantar o sentimento Guarani.
Sepé Tiaraju: um herói nacional

O vereador Ivo Fiorotti participou da atividade. E em sua intervenção explicou o Projeto de Lei que tornou Sepé Tiaraju um herói nacional. “Por ocasião dos 200 anos da morte de Sepé houve a tentativa de resgatar essa parte da história, tornando-o herói nacional. Isso não foi obtido naquele momento, mas nos 250 anos, formou-se um comitê, no qual eu participei, e obtivemos a aprovação do título de Herói Missioneiro Riograndense a ele. Em âmbito nacional conseguimos através de Marco Maia e Paim o título de Herói da Pátria”, explicou. Fiorotti anunciou ainda que o senador Paulo Paim conseguirá uma Emenda Parlamentar para o destino de verbas para a construção de um monumento ao herói na cidade e que ele está fazendo a intermediação junto ao prefeito, Jairo Jorge, para escolha do local.
A atividade de encerramento da oficina foi a sessão de autógrafos, realizada por Cechin, de seu novo livro Empoderamento popular, uma pedagogia da libertação. Entre os mais de 50 presentes estavam o cacique Valdomiro Vergueiro, do Morro do Osso e Luiz Carlos Suzin, do Fórum Mundial de Teologia da Libertação.

Foto 1- Irmão Antonio Cechin autografa livro Empoderamento Popular: uma pedagogia da libertação
Foto 2- Pedro Ortaça em show realizado no Fórum Social Mundial 2010, no Parque Eduardo Gomes, Canoas
Foto 3- Vereador Ivo Fiorotti destacando a importância de Sepé Tiaraju como herói nacional

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Meios audiovisuais como instrumento de transformação social

Por Fernanda Nascimento

A comunicação como instrumento de inclusão e promoção de cidadania foi debatida na Oficina de Mídia, ministrada pelo sociólogo e professor da rede estadual de ensino, Luis Antônio Moura, e pela cineasta e integrante do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Berenice Mendes. O debate ocorreu no Parque Eduardo Gomes, na quarta-feira, 27.

A experiência de utilização de recursos audiovisuais por moradores nas vilas União dos Operários e Santo Operário foi apresentada por Moura como uma forma de apropriação da própria história. Ele relatou desde o início das ocupações as diversas formas de repressão sofridas pela população local e a exclusão das narrativas dos moradores das mídias tradicionais. Para Luis Antônio, os vídeos são uma forma de afirmação da identidade, uma forma de re-contar a história, como nos documentários produzidos para os 25 anos de posse da terra, em 2009. “O FSM é um espaço onde os excluídos estão para reverter a situação hegemônica. Nós somos o Fórum”, disse.

Como militante pela democratização da comunicação, Berenice explicou a importância da apropriação da população pelas ferramentas de comunicação, em busca de uma mídia pautada pelos interesses populares. “A gente tem que contar a nossa história. Não essa história que está aí nas novelas, uma coisa descolada da realidade, um pensamento único, que induz ao consumo de bens supérfluos e nos fideliza”, criticou.

Após a palestra aconteceu a exibição de um vídeo preparado pelo sociólogo como exemplo. A oficina teve duração de 3h, com a participação de moradores locais e estudantes.





Mulheres discutem relações de poder e gênero

Por Fernanda Nascimento
A participação feminina dentro dos espaços de poder foi o centro do debate da oficina Gênero, Participação e Poder, ministrada pela sócia fundadora da Associação de Mulheres do Multiplicar, Maria Eunice, dentro das atividades do Fórum Social Mundial. A oficina ocorreu no Parque Eduardo Gomes, na manhã de terça-feira, 26, com um público estimado em 50 pessoas.

Segundo Eunice, as mulheres precisam primeiramente compreender a sua situação na sociedade, as situações de discriminação e relações de subordinação para, a partir disso, melhorar a autoestima e refletir. “A independência econômica vai permitir debater o poder. Temos que refletir até que ponto nós quando temos a oportunidade reproduzimos relações de poder, ao invés de construir relações de poder”, disse.

A atividade teve duração de 2h e nas intervenções das mulheres de diversas nacionalidades foi consenso a necessidade de repensar o papel da mulher no debate público e na implantação de políticas voltadas para o setor.
Imagens Luiz Antônio Moura